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Conhece alguma História sobre Moinhos?

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Se conhece, envie

       
 
 
Numerosas pessoas passaram por este local, derreadas com o peso do próprio corpo e de uma vida difícil que muitos nem sequer conseguem imaginar, tantas as vezes que subiram e desceram por estes caminhos. Parece que as próprias pedras tem uma história para contar.
 
São pequenos pedaços destas passagens que aqui descrevo, com o testemunho de alguém que nasceu e cresceu numa destas casas.

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O profundo vale, O caminho e a casa do moleiro

 
 
 
    No alvorecer do dia, o moleiro, já estava a caminho da freguesia do Castanheiro do Sul.
   
    Os seus animais, um macho valentão, com cinco taleigos de farinha e a velha bur-ra, que mesmo assim suportava três taleigos mal cheios, subiam a encosta do monte redondo numa passada firme, outro animal que não faltava era a violeta, uma cachorrinha que conseguia farejar um coelho a cem metros!!!  Era uma companhia para todo e qualquer lugar.
   
    O moleiro seguia atrás, para verificar a carga dos animais, levando consigo uma boa merenda para o dia que iria ser grande, não era só descarregar a farinha,  era  necessário ir a freguesia do Pereiro recolher milho e algum centeio aos seus clien-tes habituais.
    
    Quando chegava a casa do cliente, pesavam a farinha para verificar se não have-ria algum engano. Dependendo das distâncias e do próprio caudal do rio, a maquia poderia ser  variável, mas normalmente em cada  doze quilos de cereal era retirado dois ou três quilos de farinha, que correspondia ao trabalho do moleiro.
   
    Depois de entregar a farinha e de fazer a recolha do cereal no Pereiro era hora de arrochar a carga em perfeitas condições, não fosse o diabo tece-las.
 
    Nestes dias de entrega e recolha de farinha e cereal, o moleiro quase sempre, bebia mais, do que o corpo lhe pedia. Os animais preparados, começavam a viagem de volta ao moinho, o moleiro seguia a frente dos animais para o caso de ser necessário mandar parar os animais e para isso bastava a ele levantar o bengalão que os animais ficavam de sentido.
 
    Nesse dia, o bengalão nem para amparar o moleiro serviu, o vinho começa-lhe a subir á cabeça, um suor gelado corre-lhe pela testa, as pernas a fraquejarem e des-falece encostado a beira do caminho, dois tintos a menos e nada disto lhe sucederia, adormecer no caminho.
   
    Os animais arreados com a preciosa carga é que não ficaram a espera do dono acordar, ficou a violeta, deitada ao lado do moleiro lambendo-lhe o suor.
   
    O macho e a burra também não tiveram grande sorte, não estava nem a mulher do moleiro, nem os filhos para descarregarem a pesada carga, tinham ido recolher uma lenha que restava da última poda.
    
    Entretanto a burra ferra uma dentada num dos taleigos de cereal que estavam no dorso do macho, o milho jorra sobre a soleira do moinho servindo de jantar aos po-bres animais.
    
    Passado algum  tempo, chega o moleiro e deparando com  aquele quadro, corre em direcção aos animais com o bengalão no ar e dá umas bengaladas na burra que parece ficar entre a vida e a morte.
    
    Foram dois, os prejuízos do moleiro, ficou sem o cereal e a burra ficou em tão mal estado que nem podia com um taleigo de cereal, vendeu-a por tuta e meia aos ciga-nos que por ali passaram, depois do mal feito não há remédio.